Pular para o conteúdo principal

Dra. Sofia Prearo – Psiquiatra em Rio Verde – GO

Você já sentiu o coração acelerar sem motivo claro, as mãos suarem e uma sensação incômoda de que algo ruim está para acontecer? Esses sinais podem ser parte da resposta normal do corpo a situações de estresse.

A ansiedade, em doses pequenas, é uma emoção natural e útil, que nos mantém alertas e preparados. No entanto, quando ela se torna frequente, intensa e começa a atrapalhar a rotina, estamos diante de um problema de saúde mental: o transtorno de ansiedade.

Como posso te ajudar se você sofre de ansiedade?

Se você chegou até aqui, talvez esteja buscando entender o que está sentindo, identificar se isso é ansiedade — ou apenas encontrar alguém que possa te escutar. Eu sou psiquiatra, com formação pela USP de Ribeirão Preto, e ao longo dos anos tenho acumulado experiência em diversos cenários de atendimento ao paciente e transtornos.

Meu papel não é apenas prescrever medicamentos ou dar diagnósticos, mas acolher sua história, compreender seu sofrimento e ajudar você a reencontrar equilíbrio emocional.

A ansiedade, quando passa dos limites, pode ser paralisante.

É comum ouvir frases como “não sei mais quem sou”, “não consigo desligar a mente” ou “meu corpo vive em alerta”. Eu escuto essas frases com atenção, sem julgamento — porque sei que, por trás delas, há alguém que quer melhorar, mas não sabe por onde começar.

Neste artigo, reuni informações essenciais sobre a ansiedade: o que é, como se manifesta, quais os tipos mais comuns, como é feito o diagnóstico e, principalmente, como é possível tratar e conviver com ela de forma saudável.

Se você sente que algo não está bem, espero que este conteúdo te ajude a dar o primeiro passo em direção ao cuidado.

Se fizer sentido para você, estou aqui para caminhar junto nessa jornada. Seja através de um acolhimento inicial, uma escuta atenta ou um tratamento mais estruturado — meu compromisso é com a sua saúde mental.

1. O Brasil e a epidemia silenciosa da ansiedade

O Brasil lidera o ranking mundial de prevalência de transtornos de ansiedade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Estima-se que cerca de 10% da população brasileira — ou seja, aproximadamente 18,6 milhões de pessoas — sofra com esse tipo de transtorno. Para se ter uma ideia, a média mundial é de 3,6%.

Esse número alarmante está ligado a diversos fatores: desigualdade social, violência urbana, incertezas econômicas, desemprego, falta de acesso à saúde mental e o ritmo acelerado das grandes cidades. Além disso, o estigma sobre transtornos mentais ainda é forte, o que dificulta a busca por tratamento.

O impacto não é apenas individual, mas social e econômico. A ansiedade afeta a produtividade no trabalho, os relacionamentos e pode levar a afastamentos por licença médica e aposentadoria precoce.

2. Quem mais sofre com a ansiedade?

A ansiedade pode atingir qualquer pessoa, em qualquer fase da vida. No entanto, alguns grupos são mais vulneráveis:

  • Jovens adultos (18 a 24 anos): estudos apontam que essa é a faixa etária mais acometida, com prevalência de 31,6%. A pressão acadêmica, o início da vida profissional e as transformações da juventude contribuem para isso.

  • Mulheres: apresentam taxas mais altas de ansiedade do que os homens (34,2% contra 26,8%). Fatores hormonais, dupla jornada e questões culturais estão entre os possíveis motivos.

  • Crianças e adolescentes: a ansiedade pode se manifestar de forma diferente nessa faixa etária. Mudanças escolares, bullying, separação dos pais e inseguranças pessoais são gatilhos comuns. Muitas vezes, os sintomas passam despercebidos ou são confundidos com “manha” ou timidez.

  • Idosos: apesar de menos falado, esse grupo também sofre com ansiedade, muitas vezes relacionada à solidão, perdas e doenças crônicas.

3. Sintomas físicos e emocionais: como reconhecer?

Os sintomas da ansiedade podem variar bastante de pessoa para pessoa, e nem sempre são óbvios. Eles podem ser divididos em dois grupos:

3.1. Emocionais:

  • Preocupação constante e excessiva
  • Sensação de que algo ruim vai acontecer
  • Dificuldade de concentração
  • Irritabilidade e impaciência

3.2. Físicos:

  • Palpitações (coração acelerado)
  • Falta de ar ou respiração ofegante
  • Tensão muscular e dores no corpo
  • Suor excessivo
  • Tremores
  • Insônia ou sono não reparador
  • Distúrbios gastrointestinais (náuseas, diarreia)

Por exemplo, uma pessoa pode evitar reuniões no trabalho por medo de falar em público, ou deixar de sair de casa com receio de ter uma crise. Esses sinais impactam diretamente a qualidade de vida e o funcionamento social e profissional.

4. Quando é ansiedade e quando é outra coisa?

Nem sempre o que parece ansiedade é de fato um transtorno ansioso. Algumas doenças físicas e outros transtornos psiquiátricos podem causar sintomas semelhantes. Por isso, o diagnóstico deve ser feito por um profissional capacitado.

Exemplos de doenças físicas:

  • Hipotireoidismo: pode causar fadiga, lentidão e humor deprimido.
  • Hipertireoidismo: acelera o metabolismo, gerando nervosismo, insônia e tremores.
  • Arritmias cardíacas: provocam sensação de coração disparado.
  • Anemia: causa cansaço, fraqueza e falta de ar.
  • Uso de substâncias: como cafeína, drogas estimulantes ou abstinência de álcool.

5. Tipos de transtornos de ansiedade

Existem vários tipos de transtornos ansiosos. Veja os principais:

5.1. Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

  • Preocupação excessiva com diversas áreas da vida (saúde, trabalho, finanças). A pessoa sente que “não consegue desligar a mente”.

5.2. Transtorno de Pânico

  • Crises súbitas de medo intenso, acompanhadas de sintomas físicos como dor no peito, falta de ar e sensação de morte iminente. Muitas pessoas procuram emergências acreditando que estão infartando.

5.3. Fobias específicas

  • Medo desproporcional e irracional de situações específicas (voar, altura, agulhas, animais). O simples pensamento na situação já causa mal-estar.

5.4. Fobia social (transtorno de ansiedade social)

  • Medo intenso de ser julgado ou ridicularizado em situações sociais. A pessoa pode evitar apresentações, festas ou até mesmo encontros com amigos.

5.5. Agorafobia

  • Medo de estar em locais dos quais seria difícil escapar em caso de crise (shoppings, transporte público, multidões).

5.6. Transtorno de Ansiedade de Separação

  • Mais comum na infância, mas pode afetar adultos. Envolve sofrimento excessivo ao se separar de figuras de apego.

5.7. Mutismo seletivo

  • Geralmente em crianças, que falam normalmente em casa, mas se recusam a falar em contextos sociais.

5.8. Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT)

  • Surge após eventos traumáticos e inclui revivescência, pesadelos e hiperalerta.

5.9. Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)

  • Obsessões (pensamentos repetitivos) e compulsões (rituais) que geram ansiedade.

6. Ansiedade tem cura? Como é o tratamento?

Embora o termo “cura” nem sempre seja o mais adequado, os transtornos de ansiedade têm tratamento eficaz. A maioria dos pacientes melhora significativamente com a abordagem correta, que deve ser individualizada.

6.1. Psicoterapia

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é considerada o padrão-ouro no tratamento da ansiedade. Ela ajuda a identificar padrões de pensamento distorcidos e a desenvolver estratégias de enfrentamento.

Outras abordagens também podem ser úteis, como a terapia de aceitação e compromisso (ACT) e a terapia interpessoal.

6.2. Medicação

Em casos moderados a graves, o uso de medicação pode ser necessário. Os principais grupos são:

  • Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) ou inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN)
  • Benzodiazepínicos – são as medicações “tarja preta”, de uso pontual e por tempo limitado

7. O que você pode fazer por si mesmo para lidar com a ansiedade

Algumas mudanças no estilo de vida podem reduzir significativamente os sintomas ansiosos:

  • Praticar atividade física regularmente
  • Ter uma rotina de sono adequada
  • Reduzir consumo de cafeína, álcool e açúcar
  • Adotar técnicas de respiração, meditação e mindfulness
  • Manter uma alimentação equilibrada
  • Reservar tempo para lazer e atividades prazerosas

Caminhos difíceis levam a caminhos bonitos

8. Mitos comuns sobre ansiedade

  • “É só frescura”: falso. Transtornos de ansiedade são condições médicas reais.

  • “É coisa de gente fraca”: não. A ansiedade pode afetar qualquer pessoa.

  • “Remédio vicia”: medicamentos ansiolíticos e antidepressivos, quando bem indicados, são seguros.

  • “Terapia não funciona”: a psicoterapia é uma das ferramentas mais eficazes no tratamento.

9. Quando e onde buscar ajuda?

Se os sintomas estão afetando sua qualidade de vida, não espere. Eu posso te ajudar a reconhecer o que você tem sentindo e também podemos, juntos, traçar formas de cuidado.

10. Saúde mental é prioridade

Viver com ansiedade não é normal — é tratável. Com ajuda profissional, apoio da rede de contatos e hábitos saudáveis, é possível controlar os sintomas e ter uma vida mais tranquila, produtiva e feliz.

Cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo. Se você ou alguém próximo apresenta sintomas de ansiedade, me mande uma mensagem, clicando no botão abaixo.

O primeiro passo pode mudar tudo.

 

Leia também: 

Psiquiatria: a especialidade médica voltada à saúde mental – https://drasofiapsiquiatra.com.br/psiquiatria/

Depressão: entendo a profundidade do sofrimento emocional – https://drasofiapsiquiatra.com.br/depressao/

Transtorno bipolar: um guia completo para compreender a mente e viver com qualidade – https://drasofiapsiquiatra.com.br/transtornobipolar/

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *